Durante alguns dias um mistério foi formado pela Embraer. Vinhetas mostravam em cenas de penumbra que algo de novo viria por aí. Na internet blogueiros e influenciadores da aviação chutavam que a fabricante iria lançar um jato executivo novo. Uma nova asa tinha sido elaborada, o jato iria ser o substituto do Legacy 650, iria ser um avião com alcance de deixar Gulfstream, Bombardier ou Falcon no chinelo. Enfim a Embraer iria plantar o seu nome entre os jatos corporativos de ultra longo alcance. A dúvida também pairava então sobre qual fuselagem iria ser usada. Pelas imagens parecia a dos Praetor, porém, se essa fosse, talvez seria uma estrutura mais estreita que a de um Falcon 900LX que com um alcance de 4.750nm seria o exato degrau acima dos jatos da Embraer. O 900LX possui na sua cabine 1,88m de pé direito, 2,34m de largura e 10,11m de comprimento. A cabine do Praetor 600 possui 1,83 de pé direito, 2,08m de largura e 8,41m de comprimento. Um Gulfstream G400 que tem alcance de 4.200nm, entrega 1,88m de pé direito de cabine, 2,31m de largura e 12,93m de comprimento.

No dia 24 de fevereiro, veio a revelação. O CEO da Embraer Executive Jets, Michael Amalfitano, anunciou o jato desruptivo, uma nova era de toda a indústria. Mas vamos com calma. A Embraer lançou os Praetor 500E e 600E. Os jatos em si, dinamicamente, não mudaram. Não houve a introdução de novas asas ou substituição do motores Honeywell HTF7500E que no Praetor 500E gera 6.540lbs de empuxo cada e no 600E são 7.528lbs cada. O alcance do Praetor 500E continua sendo de 3.340nm e do 600E é de 4.018nm, sempre pensando numa lotação de quatro passageiros e as reservas de autonomia IFR da NBAA. O sufixo E resume que as novidades estão a bordo, da área da galley para trás. Novos assentos foram instalados com ajuste de densidade de estofamento, suporte lombar duplo e com comando elétrico de movimento. Ambos os jatos tem novo sistema de gerenciamento com novos módulos de comando de sistema de entretenimento e iluminação de cabine. É possível ajustar temperatura ou o fluxo do ar condicionado por aplicativo como também reproduzir vídeos e áudios. Ao lado das poltronas estão também novos nichos com os controles da cabine e há carregamentos por indução para celulares ou outros dispositivos portáteis. As áreas de galley foram redesenhadas ganhando espaço maior para armazenamento e possibilitando levar mais refeições a bordo.

Mas o grande destaque para a apresentação foi a televisão disponível apenas no Praetor 600E, uma tela OLED de 42″ com resolução 4K, sensível ao toque e por ser curva, se encaixa no formato da parede da fuselagem. Por ela, mais que assistir a novela, é possível fazer vídeo conferências e ter a visualização das imagens das três câmeras externas da aeronave. Um delas está alinhada à bequilha, podendo a pessoa acompanhar as decolagens, sobrevoos e pousos daquele ângulo. Há também duas câmeras laterais e a imagem gerada faz com que a tela se transforme numa enorme janela virtual. Para não dizer que a tripulação ficou de fora dos avanços dos novos Praetor 500E e 600E, a suíte de aviônicos da Collins agora conta com o ROAAS, sistema de alerta e prevenção de saída de pista. Ele monitora diversos parâmetros dinâmicos da aeronave como a sua posição, altitude, velocidade comparando com as condições da pista e emite alertas sonoros e visuais indicando a possibilidade do avião varar a pista.

Mas a grande atenção da Embraer com os novos Praetor 500E e 600E foi a de melhorar o conforto a bordo dos passageiros. O modelo menor consegue fazer voos de São Paulo (SP) para Miami (EUA) com uma escala, o maior segue direto. No mercado norte americano, o mote de vendas é a sua capacidade transcontinental e transatlântico de ambos os modelos, portanto eles trabalharam para aumentar o conforto das pessoas que vão passar cerca de 8h ou mais a bordo. Porém apesar da certa decepção do anúncio, as novas versões comprovam como a Embraer acertou no projeto dessas aeronaves e foi rápida na sua evolução. Feita após os lançamentos dos Phenom 100 e 300, serviram para fincar de vez a marca no setor da aviação executiva.

Nascidos em abril de 2008 como Legacy 450 e 500, apresentavam soluções inéditas na categoria como o uso de controles de voo digitais com manches laterais, piso plano na cabine de passageiros. O Legacy 500 voou primeiro em 27 de novembro de 2012 sendo certificado em 12 de agosto de 2014. O Legacy 450 voou em 28 de dezembro de 2013 e foi certificado em 11 de agosto de 2015. O modelo menor para 7 a 9 passageiros tinha alcance de 2.900nm e o maior para 8 a 12 passageiros podia fazer etapas de 3.125nm. Porém ao ver no mercado a chegada dos novos Cessna Citation Latitude com alcance de 2.700nm e o Longitude de 3.500nm e ainda tendo o Gufstream G280 com alcance de 3.600nm e o Bombardier Challenger 3500 de 3.400nm de alcance, a Embraer logo adequou os seus produtos colocando basicamente mais capacidade de tanque de combustível, novos winglets e atualizando as cabines de passageiros com um padrão conhecido como Bossa Nova.

Assim nasciam em 2018 os Praetor 500 e Praetor 600. O novo nome também desligava essa família de outro jato executivo da marca, o Legacy 650 de projeto feito em cima dos jatos regionais ERJ. Enquanto que o Legacy 450 poderia ser facilmente convertido em Praetor 500, sendo que a primeira conversão aconteceu em junho de 2020, feita no centro de serviços da Embraer em Connecticut (EUA) e em 2021 foi feita a primeira no Brasil no centro de serviços da marca em Sorocaba (SP), a mesma situação não ocorria com o Legacy 500, pois as modificações estruturais eram muito mais profundas. Cerca de 20 Legacy 450 foram convertidos para Praetor 500. Agora algumas novidades dos Praetor 500E e 600E poderão ser disponibilizadas para os Praetor e Legacy antigos. Segundo a Embraer, assim como o ROAAS, o aumento de peso máximo vazio e sem combustível considerado para o Praetor 500E que é de 26.511lbs (12.025kg) pode ser disponibilizado para o Praetor 500 básico que tinha um valor de 25.959lbs ( 11.775kg) com isso, o avião ganha 15%, cerca de 3.363lbs, na sua capacidade de carga máxima. A instalação do ROAAS nos modelos Legacy e Praetor está em processo de certificação.

A família Praetor teve uma boa participação nos números de vendas da Embraer em 2025. Do total de 155 entregas, 69 deles foram de Praetor. A família em si já contabiliza 400 aeronaves entregues. Segundo o fabricante os valores FOB considerando o calendário de 2026 para o Praetor 500E é de US$ 21,645 milhões enquanto que o Praetor 600E sai por US$ 25,795 milhões. As entregas dos pedidos dos novos aviões estão previstas para começar no primeiro trimestre de 2029.

 

Onde achar:

Embraer

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