Quem compra um Honda equaliza muito bem os parâmetros de performance com a segurança de investimento. Fora um caso aqui e outro ali, como foi o do ZR-V, difícil é ver algum produto da marca se tornar mico de mercado. Podem ser até mais caros, mas sempre haverá alguém que argumenta que em compensação, não terá problemas de manutenção. O Honda HR-V 2026 flana nesse pensamento. Entre os SUV compactos, ele na versão Touring dotado de motor 1.5 turbo de 177cv é a opção mais cara do mercado, com tabela a partir de R$ 214.000,00. O Volkswagen T-Cross Extreme 250 TSi (1.4 turbo de 150cv) sai por R$ 193,490,00 e o Hyundai Creta N Line (1.6 turbo de 176cv) sai por R$ 206.990,00. Com tal valor na etiqueta ele chega a ter como concorrentes o Jeep Compass Longitude T270 (1.3 turbo de 176cv ) que pede R$ 199,990,00 ou o Toyota Corolla Cross XRE (2.0 de 175cv) que custa R$ 197.120,00. Em junho de 2026, segundo ops dados da Fenabrave, o HR-V foi o 19º carro mais emplacado no Brasil com 4.156 unidades. O T-Cross, líder de mercado por exemplo, acumulou 11.753 emplacamentos. O Corolla Cross emplacou 3.130 unidades e ficou em 28º lugar. Se levar em conta o acumulado desde janeiro, o HR-V aparece em 17º lugar com 22.508 emplacamentos. O HR-V 2026 é uma evolução da versão lançada em 2022.

No atual padrão a versão Touring ganhou rodas de 18”, deram um tapa na grade frontal colocando elementos maiores, a porta do bagageiro (com modestos 354l) tem sistema de abertura por sensores embaixo do parachoque e as lanternas traseiras agora escurecidas tem nova assinatura em LED. Fora isso, de lado ou de cima o carro continua o mesmo. Ao entrar ele é sóbrio, todo o interior é feito em tom escuro, os bancos forrados em couro são confortáveis. Existe uma régua cruzando todo o painel onde ficam as saídas do ar condicionado de duas zonas, com os botões de controle de fluxo. Também há botões na parte central do painel para mais controles do ar condicionado. Os passageiros da parte traseira da cabine também contam com saídas de ar entre os bancos frontais. No console colocaram o nicho para carregamento de celular por indução. Testando, partindo de 64% de bateria, depois de 1h ela estava com 94% sem aquecer o aparelho. Na parte superior se destaca a tela multimídia de 8” que bem que poderia ser mais embutida.

Parte dos comandos é feita por teclas na sua borda esquerda. Para o motorista, a Honda colocou um painel e instrumentos de 7” sendo que o velocímetro e conta-giros aparecem com diagramação bem convencional, lembrando instrumentos analógicos. Como em todo o carro, esse painel segue o estilo Honda. Tudo está à mão, sem virtuosismos, múltiplas luzes coloridas decorando o interior.  No volante estão os comandos padrão da marca, na esquerda os referente ao sistema de som, comando de voz para a telefonia e som e ainda as de passagem do menu de informações de painel. Na direita estão os comandos de piloto automático adaptativo e a seleção de velocidade. Falando em comandos, é possível fazer controles remotos do carro por aplicativo no celular. Dá apara checar a localização do veículo, travar ou destravar as postas, obter informações de painel, estatísticas de viagens, agendar manutenções, receber alertas se o alarme do carro disparar entre outros recursos. Mas é preciso pagar planos para usufruir do aplicativo.

Ligando o carro, é perceptível o bom isolamento acústico, pouco se ouve do motor e há baixa vibração vinda do motor. O sistema de som é apenas regular, o peso dos graves é apenas médio não envolvendo muito o ambiente da cabine. A tocada desse SUV é sem surpresas, o curso do acelerador é contínuo, sem muitos atrasos em relação ao que é pedido. Pesando 1.408kg e tendo 177cv aos 6.000rpm e torque de 24,5kgf.m entre 1.700 e 4.500rpm deixam o HR-V Touring bem esperto. Não é esportivo, entretanto não é lento. Ele acelerou de 0 a 100km/h em 8,3s. Poderia ser mais esperto se tivesse um câmbio melhor que o CVT instalado, mesmo ele tendo as borboletas atrás do volante para as trocas das marchas simuladas. Ele anda com o jeitão de carro família, o peso da direção é regulado para isso, para não cansar em viagens longas. O piloto automático, que trabalha sem excessos de frenagens ou acelerações a medida que aparecem ou desaparecem os obstáculos na via, também aumenta o conforto especialmente para que dirige. Os sistema que mantém o carro centralizado nas faixinhas também trabalha de forma não muito incisiva, sem escândalos, mas de forma eficiente. As suspensões estão calibradas mais para o conforto que por sinal, não é prejudicado pelas rodas maiores. Abastecido com gasolina comum, o Honda fez uma média na estrada de 15,63km/l. Trocando para etanol, o consumo subiu muito chegando a 9,27km/l. Na cidade, rodando com gasolina, a média foi de 11,5km/l e com etanol ele andou 7,8km em média a cada litro gasto. Está maior ou menos de acordo com o que é divulgado pela Honda. Esse é outro ponto bem ao estilo da marca, o HR-V segue uma média de consumo que se vê no dia-a-dia.

Não é nada espetacular ao mesmo tempo não decepciona. A marca deve vir com uma nova geração, talvez com conjunto motriz híbrido, só daqui um ou dois anos. É tempo suficiente de uso para viabilizar a compra de um HR-V agora e ainda ter um prazo para ver como se comportará o conjunto novo que deve usar o motor 1.5 aspirado flex das versões EXL e EX ( além dos City e WR-V), associado com tecnologia eletrificada. Se funcionar como o que é disponível no Civic e Accord, o motor à combustão funciona apenas como gerador de energia para o motor elétrico, este usado para gerar tração. E sem dúvidas a quarta geração deve receber uma carroceria totalmente nova. Em algumas fotos divulgadas pela própria Honda lá fora, o protótipo bem camuflado aparente ter uma traseira mais reta e com lanternas verticais ao invés das atuais horizontais. Nesta fase, quase de transição, o HR-V Touring é um SUV a ser considerado. Nas versões mais básicas, com motor aspirado, talvez seja melhor dar uma olhada em outro Honda, o novo WR-V que em termos de medidas chega a ser até maior no entre-eixos entregando 2,650m ante os 2,610m do HR-V, tem a mesma largura de 1,790m e até tem porta-malas maior com capacidade de 458l. O novo WR-V custa a partir de R$ 149.900,00 na versão EX mais básica e chega aos R$ 154.000,00 na versão EXL. O HR-V EX sai por R$ 166.400,00 o que faz seu irmão mais novo ter um custo-benefício mais atraente apesar de não ter freios a disco nas quatro rodas (porém é mais leve) e ter alguns recursos a menos a bordo. Páreo duro, enquanto isso o HR-V Touring segue em frente.

Onde achar:

Honda

www.honda.com.br