A Airbus soltou um grande material da fase pré-voo do primeiro A350F, sinal de como importante o fabricante encara esse cargueiro com capacidade de transportar até 111 toneladas que passa longe de ser um A350-1000 com uma porta grande para o embarque e desembarque e piso de cabine reforçado para receber as cargas. Ele é um A350-900 na sua parte dianteira e um A350-1000 na parte traseira. As asas também são do A350-1000 criando um modelo aerodinâmico único. Sendo assim, como todo novo projeto, o avião passa por determinados testes antes de subir aos céus pela primeira vez. No simulador estão passando toda a tripulação que voará nos dois protótipos (MSN700 e MSN701) para já começar a validar as características dos controles de voo e dos sistemas gerais da aeronave.

Nesta parte do processo conhecido como VFF –Virtual First Flight, são feitas 13 sessões de cerca de 5h cada e o simulador de voo é conectado às bancadas reais de testes de sistemas de aviônicos, do Fadec e controle de voo. A configuração chega a ser 90% representativa da aeronave física. Em junho deste ano foram concluídos os testes de vibração coletando o modo como a aeronave reage. Um A350-1000 (MSN59) está sendo usado como base para calibrar o pitô estático. Se você já viu alguma imagem de um avião rebocando um cone vermelho conectado por um longo cabo, esse é o sensor que faz a coleta de dados num ponto sem a interferência da própria aeronave e que servem para a fazer a comparação com os instrumentos a bordo. Sendo o A350F um cargueiro é fundamental ter sensores de detecção de fumaça nos compartimentos de carga e para testá-los são colocados geradores de fumaça que serão usados tanto em solo como durante os ensaios em voo. O procedimento para combate a incêndio pode prever a despressurização da cabine para extinguir o fogo e a limitação de nível e voo a 20.000pés. Nos primeiros voos a tripulação vai usar o perfil de controle de comandos totalmente manual, sem a ativação dos sistemas de proteção de voo e estabilidade. Ou seja, não tem o limitador de inclinação de curvas e nem o modo de correção automático.

No início de setembro, foi feito uma sessão em simulador com dois pilotos, um engenheiro de teste em voo e dois engenheiros de ensaios em voo com a aeronave voando nessas condições. Nos dois protótipos, a estação de instrumentos de testes ficará logo após a cabine de pilotos para deixar o maior espaço livre no compartimento do convés de carga principal. Os gravadores de dados serão instalados logo abaixo, na parte dianteira do porão de carga. A campanha de ensaios em voo deve envolver cerca de 400h nos dois protótipos sendo que o MSN700 concentrará os testes em relação ao desempenho aerodinâmico, as qualidades de manobrabilidade e da atuação do piloto automático. Ele será equipado com um esqui de proteção de cauda para os testes de decolagem em alta ou máxima performance quando podem ocorrer os choques da parte traseira da fuselagem com o solo. Ele será usado com carga real a bordo e cada voo será usado para ver como é o carregamento e desembarque das cargas. Alguns clientes poderão fazer testes com seus próprios paletes para verificar se tudo ocorrerá de forma certa no s seus cotidianos. Porém a Airbus acredita que nesse capítulo, o A350F já esteja com tudo amadurecido desde o início das averiguações.

Airbus A350FO MSN700 fará todas os testes de controle de voo em modo manual enquanto que o MSN701 voará com todos os sistemas de proteção de voo ativos já em sua primeira decolagem. O segundo A350F focará os testes nos sistemas como o de ar-condicionado e os de detecção e combate a incêndios a bordo. Os testes em ambientes extremos de frio e calor serão feitos com o segundo protótipo. O primeiro voo está previsto para antes do final de setembro de 2026 com o término da campanha de ensaios no começo de 2027. Caso tudo ocorra na certificação as primeiras entregas para o grupo de logística francês CMA CGM Air Cargo deve ocorrer no segundo semestre de 2027. Eles entraram no lugar da Air Lease Corporation que desistiu da compra de sete A350F. A CMA CGM encomendou por enquanto oito exemplares. A maior compradora é a Atlas (20 aeronaves) seguida pela Air China, Starlux e Etihad que encomendaram dez cada uma, além da Cathay Pacific com oito aeronaves, e Singapore e Korean com 7. Na lista estão também a Turkish (5 jatos) a Martiniar com a encomenda de 4 jatos e a Silk Way com o pedido por 2 aeronaves.