Porto seguro
Novos negócios para a aviação
Veja só como se voa no Brasil. No estudo da Abag – Associação Brasileira da Aviação Geral, considerando a aviação de negócios, ou seja, aqueles que não são as de companhias aéreas nem militar ou de uso parapúblico, se o segmento como um todo tem se mostrado um tanto quanto estável entre 2018 e 2025, quando a frota saiu de 15.492 para 15.896, algo como 2,5% de aumento, houve uma subida de 16,17% na quantidade de aeronaves ativas, enquanto que a soma de aeronaves com o certificado de aeronavegabilidade vencido, cancelado ou suspenso, decresceu de 38,9% do total da frota em 2028 para 32,28% no ano passado. Em 2018 havia 8.966 aeronaves voando enquanto que em 2025 a frota cresceu para 10.695 aeronaves. Se for para contar o que mais entrou no país entre 2024 e janeiro de 2025, os turboélices tem mantido a liderança com 591 exemplares, seguido pelos helicópteros à turbina, com 289 unidades enquanto que os aviões à pistão responderam por 346 aeronaves, entre os jatos, entraram 185 e os helicópteros à pistão somaram 11 unidades. Em compensação, foram poucas as aeronaves exportadas, apenas 23 em 2024, 26 em 2025 e seis em 2026. Dessa fatia, foram embora mais jatos, 14 unidades, seguido pelos turboélices e helicópteros à turbina com 12 exemplares de cada categoria enquanto que foram embora 11 aviões à pistão e 6 helicópteros à pistão.
O mercado que importou um montante de US$ 2,8 bilhões em aeronaves, partes e peças em 2024, passou para US$ 3 bilhões em 2025 e até janeiro de 2026 já negociou US$ 200 milhões. Entre as exportações, os valores foram de US$ 3,6 em 2024, US$ 4,4 bilhões em 2025 e o acumulado em janeiro deste ano foi de US$ 300 milhões. Ou seja, é um mercado sólido e com tendência ao crescimento, atraindo mais participantes. A Vila Porto como tantas tradings sediadas no Espírito Santo, começa as suas operações dentro do setor de aeronaves. A empresa que vive majoritariamente da logística e importação, fazendo negócios com produtos têxteis, de mercado de luxo, muito de maquinário da linha amarela (tratores e afins) como nos contou o João Bosco Campos, fundador da empresa, tem um lado que acaba se tornando mais popularmente conhecido ao trabalhar com vinho. Trouxeram muita coisa para a Expand e para a Concha y Toro. Com o tempo e simbiose de negócios, formaram uma joint venture com a loja Ville du Vin e mais a vinícola chilena tanto para atuar no varejo como para centralizar toda a operação no Brasil. Segundo Cassia Andrade, gestora da loja Ville du Vin no bairro paulistano do Itaim Bibi, além dessa que é a matriz, eles tem unidades franqueadas no Alphaville de Barueri (SP), em Recife (PE), Teresina (PI), Serra (ES) e na sequência serão abertas as de Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR). Em algumas dessas lojas eles manterão o esquema de ter um restaurante agregado. A Ville du Vin faz muitos eventos gastronômicos tanto para divulgar os seus produtos como sendo uma oferta de ação para os clientes e isso tem dado dinheiro. Apesar de ser o segmento que mais firme a imagem perante o público e chegar a movimentar 30 milhões de garrafas, o vinho responde por apenas 7% do faturamento da Vila Porto. O grosso dos negócios está na logística.
E eles querem aumentar essa atuação. Como eles já tinham o ato concessório começaram a formar a equipe para entrar no segmento de aviação. Conversando com o Alexandre Bueno, que já é nome conhecido no meio das empresas de trading e foi levado para a Vila Porto para formatar a divisão, o que ele fez foi a de arregimentar quem tem a boa experiência no mercado. Nesse início de atividades, terão entre os colaboradores nomes como a Fênix e a Tower que fazem toda a assessoria aduaneira, os transportes das aeronaves quando elas não virão simplesmente voando por conta própria, estará a cargo da National Freight e da AGS e estão contatando escritórios de advocacia e seguradoras que tem costume em trabalhar com a aviação da mesma forma que vem agregando profissionais para fazer as etapas de inspeção de pré-compra e verificar o real estado das aeronaves negociadas. Inicialmente, segundo Alexandre, os negócios estão focados nas aeronaves mais leves e médias usadas que podem ter tíquete partindo de US$ 50 mil até US$ 20 milhões. Para o Alexandre, segmentos como o de asas rotativas, o agrícola e as novas diretrizes para o uso aeromédico são fatias de mercado que podem gerar novos negócios. Com o tempo, fomentando a participação no mercado, aumentando a capacitação financeira, a ideia é partir para um segmento de aeronaves de maior porte que todos os processos de trading estão concentrados em três ou quatro outras concorrentes. Mesmo antes de uma apresentação formal, eles já negociaram dois Cirrus SR22 anos 2025 e 2023 e um Robinson R44 ano 2025. Também já partem com parcerias firmadas com a ABH Helicópteros de Ribeirão Preto (SP) que comercializa a linha Robinson. Para 2026 a Vila Porto estima fazer as operações em cima de 20 aeronaves e dobrando esse número em 2027 podendo chegar até 45 aeronaves. Bosco vê que era uma oportunidade a ser aproveitada, ele enxerga o segmento com ativo então, só restou então partir para o negócio.
Onde achar:
Vila Porto
https://grupovilaporto.com.br/