Hotel de negócios

A proposta era o de se hospedar na unidade da rede Ramada Encore do Vale do Silício brasileiro. Típico texto pomposo de vendedor, mas você vai se hospedar em Osasco mesmo. Apesar de ser uma bela realidade, a cidade da grande São Paulo tem atraído muitas empresas de tecnologia sendo que o iFood, Dafiti e MercadoLivre migraram para lá e ainda por cima tem o peso de ser o local da sede do Bradesco, e se isso quer dizer muitos negócios girando em muitos quarteirões, Osasco não é bem o local mais lembrado quando se aborda o tema de hotelaria ou destino a ser explorado. E olhe que no endereço que a unidade está, na Avenida dos Autonomistas, centro da cidade, foi feito o primeiro voo da América Latina. Em 7 de janeiro de 1910, Dimitri Sensaud de Layaud decolou com o aeroplano São Paulo – projeto próprio – e voou naquelas vizinhanças por 6 segundos e 18 décimos, a uma altura de 4 metros e percorrendo 105m. Então, depois de tanta floreada, é hora de se apresentar no balcão de recepção desse hotel. O Ramada Encore é do padrão de hotel corporativo. Um degrau acima do Ibis e concorrente de algum Mercury, entrega um tanto mais que o básico em termos de hospedagem. É daquelas opções de custo benefício ótimo, para aqueles que não precisam de alto luxo na hospedagem e precisam de uma segurança do que vão receber ao passar pela porta do quarto. Padronizado, garante conforto na dormida por diárias que estão a partir de R$ 190,00. O mobiliário é novo, não existe sinais de desgastes no banheiro que tem bom chuveiro. Os itens de higiene estão dentro do que se espera de um hotel desse padrão, com sabonete, shampoo e condicionador de boa qualidade. No geral, mesmo o endereço ser numa avenida movimentada e tendo um ponto de ônibus com diversas linhas bem em frente, o silêncio impera no quarto. O café da manhã está incluso na diária e a qualidade dos pães e bolos é muito boa. Melhor que muito café continental que é oferecido no mercado. Há uma boa variedade de frios e frutas disponíveis. O Ramada Encore de Osasco é um endereço em que e possível se hospedar com seu animal de estimação. A localização permite um rápido acesso ao Alphaville, até por vias onde se consegue burlar o caótico trânsito de entrada e saída desse bairro. A mesma coisa em relação à São Paulo. De Congonhas ele está distante 25km e do Campo de Marte são 20km. Entretanto existe um outro lado desse hotel a ser explorado. Ele que faz parte do grupo hoteleiro Wyndham e tem a gestão de seu negócio administrado pela mineira Trul Hotéis. A empresa trabalha com uma carteira hoteleira multimarca. Na mão deles fica a responsabilidade de gerenciamento de ativos, manutenção, RH além de atendimento ao hóspede. O fato de terceirizar essa mão de obra faz com que um grupo como a Wyndham não tenha que aplicar uma estrutura mais pesada para fazer funcionar um negócio menor. A estrutura mais enxuta da Trul acaba sendo também mais ágil. Além de tocar negócios de grandes bandeiras eles também acabam prestando serviços para desenvolver ou revisar algumas marcas próprias dos empreendimentos. Em Uberlândia fizeram o trabalho em cima do Lizz Hotel que o proprietário tirou a administração de outra rede. A mesma coisa aconteceu com o Dubai Suítes em Montes Claros, no norte de Minas. O modo operacional serve também para que a empresa investidora de ativos aplique seus esforços no melhor que ela sabe fazer, deixando os trabalhos operacionais para a gestora. A maior entrada das grandes redes no Brasil, acaba exigindo um profissionalismo mais elaborado para atender um cliente, seja ele brasileiro ou estrangeiro, que a cada dia está buscando um padrão de atendimento mínimo para não correr o risco de entrar numa barca furada. É o efeito McDonald’s, você sabe que não é o melhor hambúrguer do mundo, mas sabe o que vai encontrar em cada um de seus pedidos seja lá onde estiver. O foco majoritário da Trul ainda é o do segmento de hospedagem corporativa mas existem alguns planos de subir um degrau e partir para algum modelo de padrão mais alto. Do outro lado do balcão há o outro cliente. O seu hóspede pode ser mais do que aquele que paga uma diária por alguns pernoites. O segmento de investimento em unidades de multi propriedade vem numa crescente no Brasil. Na Trul, em geral são negócios divididos em 26 frações e cada um consegue, em média, duas semanas de utilização anual, podendo fazer intercâmbio de utilização com outras unidade em diferentes destinos. Tudo usando um sistema de pontuação. Pode ser uma alternativa ao de investir numa casa de praia. O montante em ativos é menor e a flexibilidade é maior. E diferente do sistema de compartilhamento por tempo, a pessoa terá uma escritura de um imóvel na mão. Esse esquema serve também para melhor rentabilizar o empreendimento, encurtando o tempo de retorno de caixa para o investidores. A Trul, neste caso, serve de ponte entre os dois lados do balcão. Evidentemente, como soa tão atraente, o segmento tem registrado também casos de empresas que não entregam o prometido muito por conta da falta de estrutura e incapacidade de gerenciamento. Em contrapartida nomes de peso do mercado tem entrado para trabalhar com essa opção de negócio. Além da Trul, o Livá Hotéis que pertence a executivos da Atrio Hotéis ( franqueadora do Grupo Accor) e do Grupo Natos ( gestor dos resorts Olímpia Park e Solar das Águas) é outro exemplo que começou a trabalhar com esse tipo de negócio. Todos de olho numa fatia de mercado que cresceu cerca de 18 % em 2020. E deve crescer ainda mais, tendo em vista que o turismo doméstico, com a atual continuidade das incertezas e instabilidades dos mercados externos devido as ondas da pandemia e mais o Dólar e o Euro em alta, faz com que o investidores, seja os que vão empreender num apartamento ou num estabelecimento inteiro, mantenham os seus olhos voltados para o Brasil.