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Vamos destrinchar um hambúrguer. Em São Paulo fora o raio gourmetizador que tem assolado os cardápios alheios, transformando pratos antes básicos em algo cheio de pompas e preços assustadores, nos últimos tempos o que mais se viu foi a invasão das paleterias, dos food trucks e das hamburguerias para matar a sua fome. Nesse ambiente onde antes você comia despretensiosamente, hoje beira um certo esnobismo gastronômico. Está certo que a qualidade melhorou muito, algumas invencionices apareceram, entretanto, não há dúvidas que pelo menos nas tais hamburguerias, foi removido um certo clima de pé sujo que os tradicionais endereços de bairro mantinha e você, por uma questão de memória afetiva, certamente relevava. Entre a opção de comer um BigMac ou qualquer outro hambúrguer industrializado, um com a chancela simplória de bairro (sendo que alguns são realmente ótimos) ou um com cara de lanchonete anabolizada, tão caro quanto um restaurante, cheio de ar condicionado (em São Paulo, o Joaquin’s é o maior exemplo disso), eis que pululam as novas hamburguerias. A maioria com cara de moderninho. Estamos falando de comida urbana, de grande centro, então nada mais lógico que a turma da tatuagem, descolada, hypster, ver o seu reflexo nesse sanduíche que é sempre uma explosão de sabores, tudo ao mesmo tempo, fácil de comer, prático e rápido. Mas o hambúrguer não é comida de gueto, resistir à um bem feito é inútil. E agora ele é uma das sensações da vez. E se essa nova geração de hamburguerias estava concentrada, em São Paulo, nos arredores da Avenida Paulista, baixo Augusta, na Região da Vila Madalena e o bairro de Pinheiros, o seu território começa a se alastrar por outras adjacências. No da Pompéia ( berço do rock paulista) foi aberto o Garoa Hamburgueria. O nome e tudo dentro da lanchonete é uma homenagem à capital paulista, terra da garoa (está certo que faz tempo que ela não dá mais as caras). Nas paredes, um grafite feito com caneta e régua apenas, mostra o perfil típico da cidade, um paliteiro de prédios. Os pedidos são feitos evocando nomes de bairros, ou alguma outra referência paulistana. Uma vantagem oferecida é o espaço para crianças. As hamburguerias em geral não oferecem um lugar apropriado para que as crianças passem o tempo enquanto os marmanjos conversam e comem à mesa. Até porque as novas opções tem aberto em lugares pequenos. Consequência disto é a alta frequência de casais com crianças no Garoa. No dia da visita, havia uma enorme mesa para cerca de 40 pessoas, metade de crianças. Não era um aniversário, talvez uma reunião de volta das férias. De qualquer forma, nas outras mesas, a maioria também tinham uma ou duas crianças a postos para degustar um hambúrguer da casa. Há um deque na parte frontal externa da casa, se não estiver chovendo, é uma boa se instalar lá, de frente para a rua arborizada e que ainda é relativamente tranquila. O Garoa tem uma boa variedade de hambúrgueres, todos com 180gr de carne e o ponto determinado pelo cliente. O mais intrigante sem dúvidas é o SP Picante (R$ 27,90), recém chegado na casa, lançado num recente festival gastronômico com o tema hambúrguer. Pedido, veio ao ponto, com queijo brie, geléia de pimenta e agrião. A consistência do pão estava ótima, sem esfarelar. Tudo é servido numas tigelinhas de metal e o sanduíche vem com batatas fritas fininhas e sequinhas. A maionese era pouca, na medida para não lambuzar a combinação e nem passar por cima do brie e da geléia. O carro chefe leva o nome da casa, O Garoa (R$ 25,90) é mais tradicional, tem cheddar cremoso, cebola caramelizada, bacon e maionese. Na foto, ele seguiu para a mesa com uma porção de anéis de cebola empanadas batizada de MIS (R$ 15,90) servida com molho barbecue, e com o Shake Cokkies and Cream (R$ 15,90) feito com sorvete de creme, farofa de biscoito Negresco e calda de chocolate. Bom, não estava denso demais. Na desgutação entrou também o Corndog na Paulista (R$ 17,90), um cachorro quente de salsicha viena Eder com creme de milho, mostarda escura e molho barbecue feito na casa. O creme de milho estava leve e o seu adocicado como o do barbecue serviu para quebrar outro doce, o da cerveja SeaDog (R$ 13,90) que tem gosto de frutas vermelhas. Sozinha a bebida estava um pouco enjoativa. Com o sanduíche a coisa ficou melhor. Esse cachorro quente, é inclusive, mais interessante que o Garoa. A casa oferece uma versão de hambúrguer para vegetarianos. Mas é para iniciados nessa onda vegan. O Cantareira (R$ 24,90,) é feito com grão de bico temperado com especiarias. A mistura também inclui avelãs e tudo é coberto com chutney de manga, uma camada de rúcula e molho de iogurte com hortelã. O pão é integral. O conjunto é meio seco, parece um grande biscoito Nesfit salgado. O gosto de especiarias é bem presente, mas falta alguma suculência, um certo molhado, algo mastigável, nessa mistura. Se é para ser vegetariano numa hamburgueria, uma opção que se mostrou mais válida foi a salada Vila Madalena (R$ 23,90) com mistura de folhas e cogumelo shitake feito no azeite de manjericão, shoyo e geléia de pimenta com pegada tailandesa. O shitake estava meio adocicado demais, mas combinado com a rúcula, o amargo do vegetal dava a ideal equilibrada. O prato vem acompanhado de torradas que estavam com um tanto de alecrim a mais. Para fechar a boa mesa, outra oferta que anda na moda na cidade. O Trem das Onze (R$ 10,90) é uma porção de minichurros servidos com doce de leite. A criançada não dispensa a gordice como também, pelo visto no dia, o endereço agrada bem a essa fatia de mercado com qualquer das outras opções do cardápio.

Garoa Hamburgueria

Rua Tavares Bastos, 779 – Pompéia – SP

Tel.: (11) 3297 1535

Abre de quarta à sábado das 18h00 às 23h30 e aos domingos das 17h00 às 22h30.

Segundas e terças-feiras fechado.