Em sua melhor essência

Uma Harley, sendo Harley mesmo. Essa foi a melhor definição na conversa de boteco sobre a Low Rider S. Ela é desprovida do monte de adendos que normalmente vem à mente na referência da marca. Essa aqui é essencial, pois a pegada é ter o espírito mais esportivo. Monoposto, é feita para o bom passeios de desanuviar a cabeça. Basta vestir o capacete e a jaqueta, sem pensar em malas e seguir asfalto à diante. Lançada originalmente em 2016 em cima da linha Dyna, de motor Twin Cam 110, veio revista no final de 2019, já como modelo 2020 e derivando da família Softail e com motor Milwaukee-Eight 114 de 1.868cc. A Harley não divulga a potência, mas dá para chutar que nesta moto há algo como 80 ou 90hp disponíveis. O torque, este sim, divulgado é de 16,11kgf.m a 3.000rpm, ou seja, ela andando na sua melhor velocidade de cruzeiro, a 130 ou 140km/h estará se beneficiando da faixa ideal de torque. Essa moto tem perfil bem esportivo, as suspensões no ajuste de fábrica estão bem mais firmes que o que se pode esperar de uma Harley. A consequência disso é que o piloto sofre um pouco no precário pavimento das ruas brasileiras. Em compensação, o conjunto trabalha muito bem em trechos de estradas sinuosas. Na frente a Low Rider S tem novo conjunto de bengalas invertidas de 43mm de diâmetro com ajuste. Na traseira, o conjunto é de monoamortecimento de com ajuste no retorno.
Contudo ela ainda é uma Harley, o comprimento total é de 2,355m, com entre-eixos de 1,615m e o ângulo de cáster de 28º não é uma combinação muito apropriada aos circuitos travados. A esportividade vem mais ao estilo americano, um torpedo com baita potência para sair disparando em linha reta, em frente. Se puder, o circuito deve ser feito em auto estradas com curvas largas. A Low Rider S é bem baixinha, o banco está a míseros 690mm do chão, é cadeira de restaurante. Mas já vimos Harley mais confortáveis. Na posição que as pedaleiras foram colocadas, os joelhos ficam muito apontando para o céu, gerando um certo desconforto na bacia. O guidão bem que poderia ficar um pouco mais recuado. Fazendo que o corpo ficasse realmente mais reto como é anunciado. Pelo menos o banco é bem confortável, deu para aguentar bem 250km antes que os países baixos começassem a dar sinais de reclamação.
Aos 120km/h o V2 está girando a 2.700rpm. O bom é que mesmo em sexta, a essa velocidade na estrada, o motor tem toque suficiente para qualquer ultrapassagem ou retomada para escapar de alguma situação perigosa. E não foi sentida nenhuma vibração em excesso me pedaleiras ou manoplas. Único senão fica pelo tradicional sistema de comando de piscas, separado em cada manicoto. Para quem tem dedões curtos, o da direita é um pouco chato de usar, vez ou outra você acaba acelerando ao tentar dar a seta. Na cidade em sexta respeitando os 50km/h ela vai trabalhar muito no limite baixo do motor, a 1.500-1.700rpm. Torcer o acelerador nessa condição é pedir para ela reclamar um pouco. O ideal, nesse regime é trabalhar em quinta ou às vezes em quarta. O consumo não variou tanto no circuito urbano como na estrada. Na cidade ela chegou a fazer 20,190km/l enquanto que na estrada, sempre mantendo 110-120km/h, o consumo chegou 20,722km/l. Pelo computador de bordo, daria para fazer quatrocentos e poucos quilômetros, a razão entende que o ideal é pensar em etapas de 350km para ter a sobra em caso de falta de postos de combustíveis. O modelo 2021 sai por a partir de R$ 91.200,00. É o preço para entrar nesse mundo. A bordo de uma dessas, aas coisas mudam.

Onde achar:
Harley-Davidson
www.harley-davidson.com.br

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