Visto de cima

Tecnologia usada para melhorar o rendimento do plantio

O gavião no céu estava quase que pairado, muito provavelmente meio desconfiado com aquilo que passava ao seu lado. Se em um instante pensou em interceptar o inusitado, deu para perceber que desistiu. Vai que morde. É que bem pertinho, entre idas e vindas, estava um HorusMaptor Agro, drone em forma de asa voadora que é a ferramenta principal da Voavant, empresa de Americana (SP) que trabalha com levantamento de imagens e dados para monitoramento, mapeamento e identificação de áreas, principalmente de plantio. Dois dos três sócios, Gerson Zilio e José Roberto Arcaro Fº (Ricardo Magoga é o terceiro nome da sociedade), nos deram um exemplo da vantagem que é  ter um serviço desses sobre a sua plantação. Num dos testes operacionais, a Voavant usou uma área de 350 hectares de um total de 4.000 de plantação de laranja. Após a coleta de dados foi constatado um índice de falha de 1,84% na plantação. Ou seja, a cada cem laranjeiras, faltavam duas. As causas seriam diversas, mas calculando o que estes pés poderiam produzir, o prejuízo seria de cerca de R$ 157.000,00 por colheita, montante suficiente para quitar a folha de pagamento dos funcionários daquela fazenda. O Maptor Agro funciona quase que totalmente autônomo. O plano de voo da área a ser coberta é feito em um laptop e inserido no cérebro do drone por telemetria. Ele decola por meio de catapulta. Um elástico de 15m provém o impulso até que o motor elétrico dê a partida, e a pequena hélice forneça a tração necessária para o engenho de fibra de carbono seguir em frente, tudo de forma automática ou, se necessário, por controle remoto similar aos de aeromodelos. A bateria tem carga para que ele possa voar cerca de 45 a 60 minutos com reservas. Num trabalho de um dia ele consegue cobrir uma área de 1.000 a 1.500 hectares. Bem mais que um dronequadricóptero, capaz de fazer no máximo 100 hectares. Ele pode carregar dois tipos de câmeras, uma que faz imagens semelhantes a uma fotografia digital comum e outra de imagens multiespectrais. A primeira pode ser usada para trabalhos de topografia, as tais verificações de falha de plantação, contagem de animais, quantidade de solo exposto, medições em áreas de mineração ou o volume de água numa represa. A multiespectral avalia a saúde da planta. Seus dados comparam, por meio de uma centena de algoritmos, a cor e a intensidade das folhas podendo constatar a presença de pragas ou o desenvolvimento vegetativo da espécie, indicando com muito mais exatidão os momentos e necessidades de aplicação de fertilizantes, água ou produtos que possam conter o crescimento de um tipo específico (algodão, por exemplo) para um manejo mais fácil. O sobrevoo dessas maquinetas também pode servir para verificar se um trabalho de pulverização foi feito de forma correta. O resultado da captação dessas imagens é então analisado e entregue ao cliente em 48 horas. Com os dados nas mãos, o produtor pode ter melhor poder de decisão no que fazer para aprimorar a sua cultura. A cobrança da Voavant é feita de acordo com o trabalho, mas dá para pensar contextualmente em R$ 17,00, algo como meio saco de milho, por hectare. Existe um custo fixo para áreas com menos de 500 hectares, mas é possível fazer a cobertura de 150 hectares, desde que eles fiquem a cerca de 150km da base da empresa, por cerca de R$ 5.500,00. A Voavante, além de seus drones, usa também a aviação convencional como ferramenta de trabalho. Eles se utilizam de um Cessna C182 Skylane para o deslocamento mais ágil dos pontos de pesquisa de forma muito mais direta. O serviço da nova empresa está inserido no conceito do que se chama de agricultura de precisão. O agronegócio representa de 27 a 28% do PIB do Brasil e se esse valor tem muito para crescer ainda (há expectativa que suba para 35% na próxima década), ele poderia ser muito mais eficiente. Em vez de simplesmente aumentar a extensão cultivada, o importante agora é concentrar a produtividade de forma mais intensiva. A atual área da agroindústria é equivalente a 7% do território nacional. Os Estados Unidos utilizam 14% de seu território. De acordo com as leis internacionais, o país poderia chegar a explorar 20%, e se este número pode rebater nos ouvidos das pessoas em questões como devastação de florestas, o setor alega que as partes mais sensíveis da região amazônica estariam debaixo de regras rígidas que permitiriam de cada propriedade a exploração de 20% com a preservação do restante. Para chegar a um padrão inverso, a cultura teria que ser bem mais ao sul. E em regiões como as do sudeste e sul do Brasil ainda existem áreas para serem exploradas, mas é necessária a sua intensificação. Segundo o Gerson Zilio, daria para a produção de milho no sul crescer cerca de 20% se aplicados novos gerenciamentos. Pelos estudos da OMC o Brasil até 2050 poderia abastecer 50% da demanda por comida de um planeta com 9 bilhões de humanos, para isso sua produção da agroindústria teria que crescer pelo menos de 40 a 50%. A largada para essa realização conta com a ajuda da característica natural peculiar que soma clima, disponibilidade de água, qualidade de terra e espaço. Entretanto é necessário usar melhor as novas tecnologias, como as que a Voavant disponibiliza, para fazer mais por menos e, quem sabe assim, poder aliar a questão da procura pelo produto (e o poder da grana que ela possui) com a da preservação, algo que invariavelmente tem sido assunto de segundo escalão ao longo dos governos.

 

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