Mostraram tudo de bom

Depois de um longo inverso, surge a solução francesa

Começo do fim de uma novela. A Dassault apresentou oficialmente o Falcon 6X. Uma pena que devido ao momento, apesar de bastante pompa, o evento teve até balé na hora de entrar com o novo jato no palco, foi uma apresentação virtual, sem o tradicional público. A história desse avião teve um começo conturbado, era para ser o 5X, lançado em 2013, mas a Safran não conseguiu desenvolver direito o motor Silvercrest de 11.450lbs de empuxo escolhidos para equipar o novo jato com alcance de 5.200nm. Depois de seguidos problemas, principalmente em um dos compressores da turbina, que geraram um atraso no programa de desenvolvimento de três anos, a Dassault decidiu abandonar o projeto do 5X em 2017, apesar de ter até ter feito alguns voos de testes. No mercado foi estimado uma multa compensatória de US$ 280 milhões que a Safran deveria pagar em três anos à Dassault. A Silvercrest inclusive foi o calcanhar de Aquiles de outro jato, o Cessna Citation Hemisphere. Pela mesmas razões, o produto americano também foi cancelado em 2019. A Dassault de lá para cá usando a base do que tinha sido feita, decidiram lançar o 6X utilizando um par de Pratt & Whitney PW812D de 13.460lbs de empuxo. As asas continuaram as mesmas, mas a fuselagem foi alongada, o 6X é cerca de 40cm maior que a do 5X. O alcance também foi melhorado passando para 5.500nm voando a Mach 0.80 com oito passageiros e três tripulantes (5.100nm voando a Mach 0.85), que deve ser ampliado conforme os testes de certificação forem concluídos. Com isso o Falcon 6X que sai por a partir de US$ 51,9 milhões (versão padrão, preço FOB) pode fazer voos de São Paulo à Paris sem escalas. A velocidade de cruzeiro continuou a mesma, Mach 0.90. A cabine de passageiros desse novo Falcon ganhou prêmios internacionais de desenho de interiores. Com piso plano e pé direito de 1,98m e 2,58m de largura na altura dos consoles laterais, a cabine só perde em comprimento se comparada com a do Falcon 8X e deve ser o padrão usado para um futuro modelo, quem sabe de ultra longo alcance. O Gulfstream G700 que consegue fazer etapas de até 7.500nm (que possibilita ir de São Paulo para praticamente todo Estados Unidos, Canadá ou Europa), por exemplo, tem uma cabine com pé direito de 1,91m e a largura de 2,49m. No interior do Falcon um detalhe chama a atenção, eles colocaram uma vigia no teto da fuselagem , na área da galley. Isso dá um ganho de luminosidade no ambiente (ela pode ser escurecida eletronicamente) que geralmente não tem janelas, ao contrário do resto da cabine de passageiros que contém 30 janelas. Para os pilotos, o painel com o padrão de aviônicos EASy III, com base na plataforma Honeywell Primus Epic com quatro enormes telas de múltipla função de 14,1”. Duas delas, bem em frente aos pilotos, são usadas com dados principais do voo, parâmetros de motores além dos sistemas de alertas. As duas outras telas no centro do painel e no console central são usadas mais para as demais informações e seleção de dados de navegação. Nessa cabine está o sistema combinado de visão sintética, batizado de FalconEye que agrega as informações de voo e as imagens infravermelhas nas telas do HUD – Head Up Display possibilitando seguir para aeroportos com situações da baixíssima visibilidade. Os pilotos também contam com o FalconSphere II uma solução digital que integra todos os manuais que colaboram na redução de tempo e trabalho no cotidiano do voo. Como tantos aviões modernos o 6X este é equipado com sistema de contra medidas que impedem a aeronave entrar em situações de voo inadvertidas. O sistema de voo Fly-By-Wire do Falcon 6X faz toda a compensação dos comandos automaticamente, harmonizando todos as aplicações de comandos tanto na guinada, como inclinação das asas e arfagem. Esse jato usa sistema de flaperon, que faz trabalhar em conjunto todas as superfícies de flapes e ailerons, o que melhora a autoridade de comando, por exemplo, nas aproximações facilitando as operações em aeroportos com circuito de tráfego apertado ou com rampa de aproximação inclinadas. O Falcon 6X foi pensado em operar em aeroportos de pista curta, a velocidade de aproximação para o pouso, por exemplo, é de 100nós, coisa de turboélice. O número mágico de comprimento de pista é de 1.645m para operar com esse jato. Com 756m já dá para pensar em pousar com o 6X. Com tais números e mais o alcance, dá para ver como versátil pode ser o avião, podendo ser usado tanto para voo de longo curso como em território doméstico. Agora é só botar o bicho para voar. As entregas começarão em 2023.

Onde achar:

Dassault Falcon

www.dassaultfalcon.com

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